AMAN75-83
O tema é: Terrorismo no Brasil

Quem era Arnaldo Cardoso Rocha

Por: CARLOS ALBERTO BRILHANTE USTRA - CEL
Em: 29 de DEZEMBRO de 2013

Continuando em resposta à matéria publicada no Correio Braziliese de 28/12/2013 - da autoria de Bertha Maakaroun - intitulada "MP quer identificar carrascos"

O Estado de São Paulo a 16 de março de 1973 noticiou:



"TERROR PERDE TRÊS EM TIROTEIO"



Três terroristas que lideraram a ação que provocou a morte do português proprietário do restaurante Varela, na Mooca, foram mortos na tarde de ontem durante tiroteio com agentes dos órgãos de segurança, na rua Caquito, no bairro da Penha, (...) Morreram no local os terroristas Arnaldo Cardoso Rocha, representante do comando Nacional da ALN, em São Paulo; Francisco Emanoel Penteado, encarregado da subdivisão estudantil; e Francisco Seiko OKama, do grupo tático armado terrorista. (...) Aparecida Guarnieri Rodrigues e um agente foram feridos (...)

Notícia Transcrita do Livro Mulheres que foram à Luta Armada - entrevista com Iara Xavier Pereira.

Depois da morte de Joaquim Câmara Ferreira, "Toledo", que assumiu no lugar de Marighella, a ALN reorganizou-se formando uma Coordenação Nacional Provisória, reunindo alguns coordenadores regionais de maior destaque em ações de violência.

O novo CNP foi composto por:

São Paulo:

-Yuri Xavier Pereira (irmão de Iara Xavier Pereira e Alex Xavier Pereira, também militantes da luta armada, todos com curso em Cuba);

- Márcio Leite Toledo (Vicente), recém chegado de Cuba e que querendo sair da Organização acabou sendo justiçado;

- Carlos Eugênio Sarmento Coelho da Paz (Clemente, assassino confesso de no mínimo 10 pessoas);

Por Minas Gerais:

- Arnaldo Cardoso Rocha (Jibóia), companheiro de Iara Xavier Pereira. Foi soldado do Exército e filiou-se ao PCB. Após a Contrarrevolução entrou para a Corrente Minas Gerais e em seguida para a ALN. Era um "quadro" dos melhores da organização. Agia no Brasil e no exterior.

Pela Guanabara:

- Hélcio Pereira Fortes (Nelson).

Todos os membros atuando principalmente em São Paulo, mas com ramificações ou apoio, pelo resto do país, pois era o Comando Nacional.

Depois da prisão dos assassinos do comerciante José Armando Rodrigues, em São Benedito, no Ceará, os principais quadros dessa região deslocaram-se para outros estados fugindo dos agentes do Estado e as atividades terroristas nesta região, mantiveram-se em baixa até que a coordenação da ALN resolveu designar Arnaldo Cardoso Rocha para coordenar o trabalho rural no Nordeste (FLNN - Frente Libertação Nacional Nordeste) e as ações, ainda em pequeno número voltaram a ser realizadas. Para incrementar mais as ações, Carlos Eugênio Sarmento Coelho da Paz, foi deslocado para a mesma área, passando a atuar junto a Arnaldo Cardoso Rocha, onde participaram de alguns assaltos.

Depois de reorganizarem as atuações no Nordeste, voltaram para São Paulo para expor a situação, a Yuri Xavier Pereira e Luis José da Cunha (Crioulo) que designam Arnaldo para a Bahia a fim de dar prosseguimento á guerrilha e incrementar as ações criminosas na região.

A morte de Yuri, mitificado como um dos grandes nomes do Comando Nacional da ALN, no confronto com agentes do Estado no restaurante Varela, foi o início da decadência da ALN e precipitou a volta de Carlos Eugênio Coelho da Paz (Clemente), e de Arnaldo Cardoso Rocha (Jibóia) à São Paulo. A dupla Clemente e Jibóia, se separaria, com a fuga de Clemente para o exterior.

Arnaldo continuaria sua vida de crimes, como sempre com outros companheiros tão violentos como ele, até o dia 15 de março de 1973, quando reagiram a voz de prisão. No confronto com os agentes, três terroristas, entre eles Arnaldo Cardoso Rocha, estavam mortos.

Fontes:

ORVIL - Tentativas de Tomada do Poder - Lício Maciel e José Conegundes do Nascimento.

Mulheres que foram à Luta - Luiz Maklouf Carvalho.

Para acessar a matéria original no sítio "A Verdade Sufocada", clique aqui